1% de quem declarou imposto de renda ganha mais de R$ 1,2 milhão

Número total de declarantes e suas faixas de rendimento

Em 2026, apenas 1% dos contribuintes que declararam o imposto de renda, equivalente a aproximadamente 448.671 pessoas, registrou ganhos superiores a R$ 1,2 milhão. Esses números foram divulgados pela Receita Federal, que até o dia 26 de setembro, contabilizou um total de 42,07 milhões de declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

Dentre os declarantes, 85% das pessoas possuem rendimentos anuais de até R$ 200 mil, somando cerca de 35,82 milhões de contribuintes. Além disso, 12% (o que equivale a cerca de 4,99 milhões de pessoas) declarou ganhos entre R$ 200 mil e R$ 600 mil. Um pequeno grupo, de aproximadamente 811.745 pessoas, declarou rendimentos situados na faixa de R$ 600 mil a R$ 1,2 milhão.

Diferenças de renda e contextos eleitorais

A distribuição dos rendimentos dos declarantes de imposto de renda oferece uma perspectiva sobre a dinâmica econômica que influencia o cenário eleitoral no Brasil. A pesquisa eleitoral mostra que Luiz Inácio Lula da Silva tende a receber maior apoio entre eleitores dos estratos de renda mais baixa, enquanto Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresenta maior popularidade entre os eleitores com rendimentos elevados.

imposto de renda

Uma pesquisa do Datafolha, realizada em outubro de 2026, indicou que Lula lidera a intenção de voto entre aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos, com 50% das intenções contra 28% de Bolsonaro. No entanto, entre os que têm rendimento de dois a cinco salários mínimos, Flávio Bolsonaro obteve 47% das intenções, enquanto Lula ficou com 34%. Essa tendência se repete na faixa de eleitores que ganham acima de cinco salários mínimos, onde Bolsonaro e Lula receberam 47% e 37% das intenções de voto, respectivamente. Uma análise das propostas dos candidatos revela que as perspectivas tributárias e as questões econômicas são questões centrais nas campanhas eleitorais.

Propostas dos candidatos e impacto na tributação

No contexto atual, as propostas de Luiz Inácio Lula da Silva incluem uma abordagem voltada à justiça tributária e à mitigação das desigualdades. Em seu programa de governo, há a intenção de isentar do imposto de renda aqueles que ganham até R$ 5.000 por mês, o que foi sancionado pelo presidente em 2025. Essa proposta visa direcionar a maior carga tributária para os mais ricos, com o objetivo de aliviar a carga fiscal para as famílias de baixa renda.

Por outro lado, Flávio Bolsonaro defende a redução de impostos e a reavaliação da reforma tributária focada no consumo. Suas propostas incluem revisões na tributação sobre investimentos e até a diminuição do Imposto sobre Valor Agregado. Ele argumenta que, ao ajustar as contas do governo, seria possível baixar a carga tributária sem aumentar o endividamento público. Assim, as abordagens dos candidatos ao imposto de renda e à tributação em geral podem influenciar significativamente a percepção do eleitorado nas eleições de 2026.