Split payment: governo adia cobrança automática de imposto

Nova Data para Implementação do Split Payment

A data prevista para a implementação do sistema de cobrança automática de impostos, conhecido como split payment, foi adiada. Inicialmente, a expectativa era que o mecanismo entrasse em funcionamento no dia 1º de janeiro de 2027, coincidente com o início da cobrança efetiva da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

O Motivo do Adiamento

O motivo para o adiamento está relacionado à complexidade envolvida na implementação desse sistema. A decisão foi tomada após solicitações de bancos e outras instituições financeiras que serão responsáveis pela execução da cobrança, conforme revelou Pricilla Santana, secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul e segunda vice-presidente do Comitê Gestor do IBS.

“Implementar o split payment é uma das tarefas mais desafiadoras. Portanto, não será iniciado em janeiro”, afirmou Pricilla em uma declaração recente. “O sistema financeiro pediu um prazo maior para essa tarefa.”

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Data de Início do Sistema

Atualmente, ainda não se sabe a nova data em que o sistema estará em funcionamento. O split payment permitirá que os impostos como a CBS e o IBS sejam automaticamente retidos no momento de cada transação de compra e venda de bens e serviços.

Hoje, em uma transação convencional, o empreendedor recebe o valor total e depois é responsável por liquidar tributos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS posteriormente. Essa abordagem permite que os recursos permaneçam nas contas das empresas por um período, servindo como capital de giro. Com a implementação do split payment, a parte referente aos impostos será subtraída antes que o dinheiro entre efetivamente na movimentação da empresa.

Planejamento do Cronograma

O cronograma original estabelecia a adoção gradual do novo sistema, começando em 1º de janeiro de 2027. Esse início incluiria apenas transações entre empresas, antes da inclusão de transações com pessoas físicas.

Economia de Recursos para Bancos

Um grupo de trabalho foi criado para discutir a implementação do modelo de split payment e estimou que as instituições financeiras terão um custo de R$ 0,39 por operação, que será ressarcido pelo governo. O grupo inclui representantes do Ministério da Fazenda, da Controladoria-Geral da União (CGU), da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (FIN).

Além da compensação por operação, a proposta também considera reembolsos aos bancos pelos investimentos essenciais que serão necessários para adaptar seus sistemas à nova norma.

Considerando somente as operações entre empresas, a estimativa é de que serão processadas de 1,3 bilhões a 1,5 bilhões de transações por ano, o que poderá resultar em um repasse de até R$ 585 milhões anuais do governo às instituições financeiras, com base no custo fixado de R$ 0,39 por operação.

Magnitude das Operações Fiscais

Com a ampliação do sistema de cobrança automática para abranger tanto operações entre empresas quanto aquelas com pessoas físicas, o Ministério da Fazenda projeta um volume que pode chegar a 70 bilhões de operações anualmente, com um valor de repasse ao setor financeiro que ultrapassaria R$ 27 bilhões por ano.

O Banco Central também está trabalhando para incluir o sistema de split payment nos pagamentos via Pix.

A proposta é que haja uma retenção automática dos tributos devidos, através da integração de informações entre todos os participantes da cadeia de pagamentos e a Receita Federal.

Preocupações das Empresas com o Recolhimento Imediato

A cobrança imediata de impostos gerou preocupações entre os empresários, posto que antecipa o recolhimento dos tributos, diminuindo a liquidez das empresas em momentos que exigem uma maior disponibilidade de caixa.

Durante as discussões da reforma tributária, a equipe econômica do governo Lula defendeu fortemente o modelo, acreditando que o split payment poderia ser uma solução eficaz contra a sonegação fiscal.

Isto posto, especialistas alertam que esse sistema pode pressionar ainda mais empresas que já estão lutando para financiar seus estoques e outras despesas operacionais.

Por outro lado, a Fazenda afirma que a retenção dos impostos através do split payment será uma medida complementar. Na maior parte das transações, ela afetará apenas o saldo remanescente, após a utilização dos créditos tributários disponíveis.

De acordo com representantes da Fazenda, “não existem evidências técnicas que sustentem a previsão de uma piora na liquidez”, já que “outras modificações implementadas pela reforma devem beneficiar a saúde financeira das empresas”.

Próximos Passos na Reforma Tributária

A implementação do sistema split payment é apenas um dos muitos desafios que a reforma tributária deverá enfrentar. O planejamento e a execução de um sistema que possa atender às necessidades de um setor financeiro já sobrecarregado, mantendo a eficiência e garantindo a conformidade fiscal, são aspectos que exigem a consideração cuidadosa de todos os envolvidos.

A expectativa é que à medida que a Data Fatual do split payment se aproxima, um maior envolvimento das partes interessadas aumentará a clareza sobre os próximos passos e o tempo estimado para a implementação bem-sucedida deste sistema.

Impactos no Fluxo de Caixa das Empresas

O split payment terá um efeito profundo sobre como as empresas gerenciam seu fluxo de caixa. Com a cobrança automática, os recursos que antes poderiam ser utilizados para diferentes propósitos operacionais serão retirados diretamente no momento da venda, o que poderá dificultar a gestão financeira.

As empresas poderão ter que buscar alternativas de financiamento para garantir que tenham capital suficiente para operar durante períodos de picadas temporárias de liquidez.

Expectativas do Governo e do Setor Financeiro

O governo brasileiro espera que a implementação do split payment resulte em uma maior transparência no recolhimento de impostos, além de um combate mais efetivo à sonegação. No entanto, os desafios associados à adaptação de empresas e instituições financeiras ao novo sistema não devem ser subestimados.

O diálogo contínuo entre as partes envolvidas será central na mitificação dos riscos e na maximização dos benefícios que o sistema proposto pode trazer para o ambiente tributário brasileiro.