Pontes defende que Imposto de Importação seja definido em lei

A Proposta do Senador Astronauta Marcos Pontes

No dia 1º de setembro de 2026, durante uma sessão plenária, o senador Astronauta Marcos Pontes, do PL-SP, expressou sua preocupação com o futuro do Imposto de Importação, especialmente no que se refere à tributação de compras internacionais com valor de até US$ 50. O senador afirmou que essa alíquota deve ser estabelecida por meio de uma legislação formal, não podendo ser alterada por um simples ato do Ministério da Fazenda.

Pontes se manifestou contra a Medida Provisória (MP) 1.357/2026, que transfere ao Ministério da Fazenda o poder de modificar a taxa através de portarias.

Por que a alíquota deve ser definida em lei?

A proposta do senador enfatiza a importância da permanência da alíquota do Imposto de Importação dentro do marco legal. Ele argumenta que a definição legal é fundamental para garantir transparência e previsibilidade para os consumidores e para o comércio. Ao permitir que o executivo altere a alíquota sem passar pelo Congresso Nacional, há o risco de decisões unilaterais que podem afetar negativamente o mercado e os cidadãos.

Imposto de Importação

Consequências da Medida Provisória 1.357/2026

O principal ponto de crítica do senador é que, ao aprovar a MP, o governo poderá reverter a isenção sem que haja a chance de debate ou votação entre os representantes do povo. O procedimento representaria uma concentração de poder nas mãos do Executivo, ao mesmo tempo em que retira do Legislativo o papel crucial de discutir questões que impactam a vida econômica dos cidadãos.

Se a MP for aprovada, o senador alerta que o governo poderá usar essa nova prerrogativa para reestabelecer a tributação de forma rápida e sem deliberação pública. A partir do dia 8 de setembro, caso a medida não seja aprovada, a taxa voltaria automaticamente.

Impacto no consumidor e no comércio internacional

A alteração na política do Imposto de Importação tem consequências diretas sobre os consumidores brasileiros, pois a taxa de até US$ 50 representa uma verdadeira barreira à aquisição de produtos internacionais. Mantendo a isenção, os cidadãos poderão continuar fazendo suas compras no exterior sem um encarecimento decorrente de tributações inesperadas.

A proposta do senador visa proteger o consumidor, facilitando suas compras e promovendo, assim, um ambiente mais competitivo no mercado interno. Um controle legislativo sobre a alíquota torna-se ainda mais relevante em um cenário de crescente globalização, onde as compras internacionais são cada vez mais comuns.

A prerrogativa do Congresso Nacional

O senador também ressaltou que o Congresso Nacional é o órgão responsável por representar a vontade popular. A exclusão do Legislativo na definição de impostos compromete a democracia e a transparência nas decisões fiscais. Para Pontes, permitir que o Executivo determine tributos por portarias é um retrocesso na proteção dos direitos dos cidadãos.

Crítica ao processo legislativo apressado

Pontes apontou que o trâmite da Medida Provisória durante o Congresso foi apressado e sem espaço para discussões mais amplas que envolvem emendas e sugestões de parlamentares. A comissão mista, responsável por analisar a MP, foi instalada apenas 105 dias após a edição da mesma, e o parecer fecha uma janela de oportunidade para que os parlamentares apresentem alterações significativas.

Essa rapidez no processo legislativo torna a aprovação da MP algo quase automático, desconsiderando o debate detalhado e o aprofundamento que medidas dessa magnitude exigem.

Alternativas à proposta do governo

Na tentativa de proteger o consumidor e garantir que a alíquota seja mantida, o senador sugeriu a inclusão do zero por cento diretamente na legislação. Isso garantiria que o benefício seria preservado enquanto qualquer eventual retorno à taxa deveria passar novamente pelo Plenário do Senado, garantindo discussão e deliberação.

Essa abordagem também garantiria que quaisquer tentativas futuras de reverter a isenção não seriam feitas em um vácuo legislativo, promovendo um ambiente de maior responsabilidade fiscal e política.

O papel do Ministério da Fazenda

A crítica à atuação do Ministério da Fazenda reside na centralização de poder que um ato como a MP 1.357/2026 oferece. A este respeito, Pontes argumentou que é crucial garantir que a cobrança e a isenção de impostos sejam tratadas sob a supervisão do Congresso Nacional, que é o legítimo representante do povo.

Visão dos economistas sobre o imposto

A questão do Imposto de Importação é debatida também por economistas, que ponderam sobre o impacto que a redução ou eliminação dessa taxa teria no comércio exterior e na economia local. Muitos especialistas concordam que uma tributação mais leve poderia estimular o consumo e o comércio nacional, facilitando o acesso a bens e serviços por parte dos cidadãos.

Futuras implicações para a legislação tributária

Se a proposta de Marcos Pontes prevalecer, podemos imaginar um futuro onde a alíquota do Imposto de Importação é protegida por lei, impedindo qualquer alteração desmedida sem a vontade do Congresso. Isso poderia estabelecer um novo precedente na maneira como questões tributárias são tratadas no Brasil, promovendo maior responsabilidade e transparência na política fiscal.